quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sobre estágio, experiência e qualificação de um candidato

Por @LeoBLemos

Quem visita o blog constantemente já deve ter percebido que o funcionamento dele se dá pelo Ctrl C+Ctrl V, e somente com as vagas do CIEE e IEL-PE há algo que escrevo, mesmo assim coisas rápidas, porque trabalho pela manhã e faço atualizações entre um intervalo e outro das atividades. Porém decidi parar por dez minutos e escrever sobre algo que sempre me incomodou e esses dias incomoda mais ainda.

Estou no fim de minha vida acadêmica, último período de jornalismo, estágio excelente (tanto de experiência como de remuneração) mas para chegar até aqui passei por poucas e boas. De trás para frente, eu disse não ao estágio dos sonhos de 4 em cada 5 estudantes de jornalismo: a TV Globo Nordeste, pois não concordava em trabalhar mais que 6h/dia e ainda tirar plantões absurdos no fim de semana. Antes passei pelo TRE-PE e tive o prazer de trabalhar com uma equipe de sonho, me apaixonei pelo planejamento estratégico e defini o modelo de profissional que quero ser muito em breve: Ana Cristina Vieira. Também passei pela Agência do Trabalho, e pelos gestores de lá, aprendi como não fazer Assessoria de Imprensa. No meio do caminho passei por outros trabalhos, nos quais não cheguei a ficar muito tempo, por diversos motivos. O maior deles: o desrespeito ao estagiário.

O excedente de mão de obra, em qualquer área que seja, faz com que o desrespeito ao candidato se dê antes mesmo da seleção, no momento de triagem de candidatos. Pessoas boas enquanto seres humanos, com qualidades subjetivas mas sem determinados méritos adquiridos através de cursos ou de experiência em outros trabalhos são impedidas de participar de seleções de estágio e ficam desmotivadas. Eu mesmo já passei por isso, mas não baixei a cabeça: procurei aprender aquilo que não sabia, inclusive procurando cursos free pela internet, porque como se qualificar sem remuneração fixa? Ainda aceitei, por determinado tempo, me passar a locais de estágios desrespeitosos em alguns casos mas que me garantiriam um mínimo de experiência necessária para ser "aceito" nas seleções, porque a maioria delas pede a bendita experiência; e procurei muitas vezes burlar a tristeza, sem dúvidas a maior inimiga de quem procura um estágio.

Às empresas ainda se soma o oportunismo de querer um candidato a estágio cada vez mais sofisticado, com mil habilidades (muitas delas fora de sua área de atuação), com vários cursos no currículo mas nenhum conhecimento ou habilidade procedimental e atitudinal. Sendo assim, são barradas pessoas que não têm photoshop no currículo mas sabem como atender um cliente, como adaptar uma demanda de última hora, como ouvir o cliente e como ajudar a empresa a crescer, sem que seja necessário dominar programas gráficos ou língua estrangeira. Mas contratado mesmo foi a pessoa que, quem sabe, até comprou a vaga, ao poder pagar cursos e mais cursos mas, como já disse, em nada muito pode somar à empresa.

É obvio que este meu relato é banhado de sentimentalismo pelos meus e há casos em que as seleções são justas e tal, mas o que eu queria dizer em linhas simples é que é lamentável as empresas não poderem ouvir o candidato a estágio, ou só ouvi-lo se ele tiver um curso ou vários; tenho alguém querido do curso de publicidade que fez das tripas coração para pagar um curso de Corel no Senac-PE e agora ele é barrado nas seleções porque ainda não tem Ilustrator. Quando tivé-lo, certamente pedirão Indesign, Photoshop, HTML (alôo.. publicitário não é diagramador!), sempre nesse lamentável ciclo que muitas empresas fazem de ter um profissional que faça tudo e ganhe como um, o que só deixa as pessoas mais tristes e desmotivadas, alimentando um ciclo que nunca termina com a desculpa de que "quando fui estagiário também não foi fácil..", mas o tempo passando.

Meu sonho, por fim, é o de que haverá um dia em que os candidatos simplesmente dirão: "não quero concorrer à sua vaga, sua empresa oportunista de uma figa!", mas este é um sonho muito distante, afinal, como já disse, sempre vai ter alguém topando uma fria para ter a experiência e poder partir para outra. Sonho também com o futuro de cada um de vocês, para que no dia em que estejam no outro lado da situação - candidato a chefe e não a estagiário - que você receba um candidato que tenha um currículo simples. Quem sabe ele não terá um coração e uma cabeça cheia de tudo aquilo que você precisará para sua empresa?

E para que está passando por isto de ser eternamente barrado nas seleções, tenhamos fé, e não desistamos.

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